Entre a dor e os limites: como Adolescência expõe complexidades Autoconhecimento Desenvolvimento Pessoal Entre a dor e os limites: como Adolescência expõe as complexidades da condição humana Como a série Adolescência, da Netflix, nos convida a refletir sobre a dor e os limites da experiência humana Por Celia Lima Atualizado em 26/03/2025 Dor e limites são temas que permeiam a experiência humana de maneiras profundas e complexas. Quando pensamos que as dificuldades emocionais e psicológicas só afetam famílias disfuncionais ou desatentas, somos confrontados com a realidade de que a dor pode estar presente em qualquer lugar — dentro de nós, nas nossas relações, nas telas ou até no silêncio de um quarto. A série Adolescência, da Netflix, nos convida a refletir sobre essas questões, ao expor a fragilidade humana diante das dificuldades internas e externas. Embora a história se concentre em um caso específico de um adolescente, o que realmente se destaca é a universalidade da dor e dos limites. Como lidamos com nossas próprias emoções? O que acontece quando essa dor não encontra uma saída saudável? Não pretendo aqui fazer uma análise profunda dos personagens, mas somente convidar a quem viu ou ainda vai ver a série, às suas próprias reflexões. Porque, sim, causa impacto. Nos faz pensar o quanto nada está sob nosso controle. Sobre nossa impotência. Leia também sobre a série Adolescência: Sinais de sofrimento na adolescência Educação emocional para adolescentes: o que a série Adolescência revela Como ensinar homens a amarem as mulheres? Adolescência digital e o crescente uso da violência como linguagem A dor humana e seus limites: um retrato da fragilidade emocional O ser humano é uma caixinha de surpresas. Nossa mente vaga por lugares sombrios que sequer imaginamos. No pensamento, tudo é possível, mas nem tudo pode se tornar palpável, tangível. Mas quando a dor interna, a angústia emocional, se torna tão intensa que começa a se manifestar de maneira destrutiva, como um pensamento sombrio que toma forma? É aí que a dor e os limites se tornam um problema real e palpável. A série Adolescência conta a história de um adolescente de 13 anos acusado de matar uma colega de escola a facadas. Apesar da sinopse, a trama não aponta culpados. Nem mesmo o menino, o pai silencioso, a mãe otimista, quase superficial, nem a irmã. Ninguém. Os autores tratam das mazelas humanas, do quanto estamos despreparados para o inusitado. Isso porque todos sofrem de si a partir do que não podem compreender. 👉 Leia também: Como encontrar paz quando é difícil controlar os sentimentos? Por que a dor não é reconhecida? O que mais me chamou a atenção na série foi a insistência do menino em dizer: “Eu não fiz nada errado”. Isso ilustra um ponto crucial: a dor interna, o sofrimento emocional que ele estava experimentando, não era reconhecido como errado — ele não sabia que aquilo o estava consumindo de dentro para fora. Então, quando ele se sentiu diminuído, fraco e incapaz de acompanhar o que parecia que seus colegas alcançavam, quando a rejeição tomou conta de sua vida, sua solução foi eliminar a fonte de sua frustração. A dor se materializou, o que o levou a tomar atitudes drásticas. Esse tipo de sofrimento não acontece somente em famílias disfuncionais ou desestruturadas. Dor e limites são realidades que podem atingir qualquer um de nós, em qualquer contexto, especialmente quando não conseguimos lidar com as emoções que nos afligem. É um sinal que passa como um rolo compressor nos pais que querem dar espaço aos filhos, mas que perdem a medida da noção de limites. Mas que limites, se tudo parecia ir bem? ✅ Participe do grupo de Terapias do Personare no WhatsApp e recebe mais conteúdos como esse